Samstag, November 09, 2002

Ik bin Italianer....... se quemó!

Sidinei, Cleide, Gisele, Gislaine, a família Pitú era essa. Oriundos de Bofete, foi essa a sina da família. Bofetadas, tapas, chutes, enfim, tudo de ruim que você pode imaginar. Mas a vida dessa inusitada e ridícula família não começara assim.
Sidinei conhecera Cleide na feira de antigüidades, em frente à praça da Igreja da cidade, a praça São Marcos Napoleão. A partir daí um forte e rápido romance se iniciou. Não era o primeiro de Cleide, talvez fosse o de Sidinei, não sabemos, mas que começou, isso sim, começou. Se esbarraram na feira e resolveram sair, naquela mesma tarde, para se conhecerem melhor. Duas semanas depois Cleide estava grávida de exatamente três semanas...
O casamento foi marcado assim, às pressas, sem festa nem pompa, mesmo porque eram pobres, não tinham como pagar o vestido, o casório, nada, nem sequer os convites para anunciar aquilo. Casaram e fugiram para a grande cidade. Gisele nasceu, como a mais evidente prova da culpa, do medo, da cafagestagem e do pecado. Logo depois veio a ridícula Gislaine, nascida para ser uma mulher da vida, desde pequena os pais já o sabiam. Disseram que era a cara, o corpo e a mente da mãe, talvez.
E assim a família Pitú nasceu e viu nascer também todos os problemas que os mentecaptos podem ter. Mesmo assim, tiraram a sorte grande, Sidinei foi contratado (!!!) por uma fabriqueta alemã. Cleide continuava a fazer a merenda, a limpar o chão, o banheiro, limpava tudo do colégio Villalva, nas cercanias da favela onde morava, até que um dia, em um sorteio na fabriqueta, Sidinei foi premiado com uma viagem ao gringo, lá "nas Európias", como ele mesmo dizia.
Foram então todos para lá, começaram a viver num apartamentinho na periferia alemã. A vida parecia estar ótima. Para um casal que se conhecera em Bofete, que tivera duas filhas imprestáveis, que comera o pão que o diabo amassara, aquela vida semi-turca era ótima. As filhas já eram populares na escola local, ensinavam as meninas mais saidinhas a dançar as coreografias insinuantes que aprenderam em casa, isso tudo sem que as autoridades soubessem. Mas, como tudo na vida da família Pitú, não podia ser tão bom assim. Ao voltarem da escola, as babaquinhas sentiram, logo na rua, o cheiro da fumaça. Chegaram mais perto, viram muitos e muitos bombeiros. Chegaram mais perto e viram que o incêndio ainda consumia tudo o que restava daquela Cohab alemã.
Quiseram achar culpados, mas todos se calaram. Cleide principalmente, fora ela quem incendiara o subsolo do edifício, propositalmente, para se livrar de sua vizinha italiana, que não sabia pronunciar o "Ich" alemão. Mas quem mexe com fogo, sai sempre queimado. E assim foi. Voltaram ao Brasil e, como castigo, foram transferidos para a Bahia.