Sonntag, September 01, 2002

sererê, sererê!
cabelo sererê,
parece mola, mas é pior,
esse é o cabelo sererê!
Tic-tac, já é meia-noite.
O dia passou como um raio que desmonta o céu, como a água que escorre pela mão.
Senhor Castor abrira a cerveja e debruçara-se no balcão daquele imundo bar.
Queria mais daquele copo, quem sabe para esquecer que as horas passaram, que os dias passaram, que a vida passara assim tão depressa.
Tic-tac, os minutos continuavam a passar, tempo perdido, que nunca mais voltaria. 37 segundos foram suficientes para esvaziar o copo, 37 apenas.
Mais 2 segundos e limpara a boca, mais 8 segundos e tirava o dinhero daquele passa-tempo. Mais uma vida para esquecer o que parecia estar tatuado para sempre em seu "cuore".
Mas quanto tempo seria essa vida? Mais 6 segundos, 4 horas, 20 anos? Não podia esperar tanto para poder se livrar daquela dor.
No bar, os estilhaços da briga de ontem, há 27 horas e ainda não tinham recolhido o copo quebrado.
Mais 3 segundos e começou a recolher tudo aquilo. Mais 19 segundos e juntara os cacos do copo, no copo.
-Manda mais uma dose neste mesmo copo, Jorge!
-Me dê este copo! ele está cheio de vidro... Você quer morrer, homem?
-Você acha que é assim tão fácil? Cale a boca e me dê mais uma dose neste mesmo copo, vai, VAI!
-................
-Como é?! Não me entende? Será que terei de subir neste balcão e arrancar-lhe à força o que estou a pedir-te?
-Tudo bem... o senhor é quem manda....
Mais 13 horas, 8 minutos, 17 segundos e 39 contésimos e o IML chegou para recolher aquele corpo caído ao chão.
Tic-tac, já é hora do almoço do legista.