Montag, Januar 06, 2003

Frase para a vida: "Posso não ser aquilo que você quer, mas sou muito mais do que você merece!"
E assim a vida passa, e assim continuamos a ser apenas mais alguns quilos de mediocridade, de massa morta, de inexistência....
Eu sou muito mais do que muitas pessoas merecem, e você? Será que pode dizer o mesmo???

Samstag, Januar 04, 2003

Yo me siento, como casi todos los días, un poco más vacio... No sé lo que pasa, pero vivo los días como si supisse que mañana estaré aqui yo sé que la vida no debe ser vivida así... Tenemos que vivir cada día como se no existisen los demás...
No vivo asi... Me siento vacio, más un "Macabéo" en este mundo, sin utilidad y sin inportancia para nadie.
Tengo ganas de salir de mi casa, afrontar los miedos y tomar los riesgos, pero creo que aún soy un sólo un rehén de mis prórprios planes sin sentido.
Dónde me quedaré? No lo sé........ Pero yo quiero comenzar a seguir mi próprio camino, aún que sea un poco tarde y aún que estea llovendo en mi ventana.
Estoy listo para mi próprio cambio, pero no para el mundo que no sabe como cambiarse....

Dienstag, Dezember 31, 2002

Humpf! feliz ano novo.................... pfffffffff.....

Sonntag, Dezember 29, 2002

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Samstag, Dezember 28, 2002


Para quem não sabe, isto é um schwartzwalderkischtorte....Um delicioso bolo Floresta Negra!!!

Sonntag, Dezember 08, 2002

Gostaria de ter dito "SIM", mas não pude.....
Como é difícil dizer "não"... Parece tão simples, uma pequena palavra com tão profundo significado.
Hoje entendo o quão pesado e amargo é o sentimento do pai ou da mãe que tem que dizer "não" ao filho quando este faz alguma coisa errada.
Dizer "não" à quem amamos talvez seja mais difícil do que receber um "não" quando desejamos ouvir um tão esperado "sim".
A dor e o pezar viram flechadas certeiras num coração que gostaria de dizer "sim", mas é obrigado a dizer "não".
Mas precisamos da educação, precisamos mostrar que nem tudo que queremos conseguimos, que talvez não seja a hora certa de dizer "sim", nem "talvez".
É difícil, mas precisamos dizer e ouvir "não".

Freitag, Dezember 06, 2002

That's just the way it is...

O sentido da palavra. A força de um olhar. Uma brincadeira que não sei se vai acabar, que não quero que se extinga. Ficção, tormentas bravas no mar de ilusões. São apenas mais algumas ilusões dentre tantas que presenciamos, vivemos e sofremos. Mais uma para o álbum de recordações.
Um pulo na piscina para tentar rejuvenescer, lavar o espírito da angústia que ainda ataca o coração. A mente presa na melancolia de querer e não poder ter. Talvez passe. O mergulho na solidão deixa novamente vestígios da dor que não vai embora, que apunhala os sentimentos do ser. Mergulhamos então em tudo que poderia ser não a salvação, mas ao menos uma consolação, mesmo que breve e tão facilmente volátil. Mas assim se passam algumas horas sem que se pense no que realmente aconteceu, horas num mundo paralelo onde os problemas simplesmente desaparecem.
Porém este mundo tem prazo de validade. Mas afinal, o quê não tem prazo de validade? Às vezes só queremos pensar na hora de começar e vivemos adiando o que seria o fim. Às vezes nem tentamos começar e já queremos pôr um fim desnecessário. Vai entender.....
A bebida, as drogas, o quer for, tentamos com todos os artifícios esquecer aquilo que grita em nossas cabeças e não entendemos o porquê. Em casa, onde não precisamos esconder a dor, buscamos por algo que possa nos acalmar, mas dificilmente encontramos. Nosso lar, nossa fortaleza parece ser fraca aos ataques da ilusão (ou seria da desilusão?).
Como um floco de algodão, seus olhos de amêndoas, ao menos alguém (ou algo) que possa nos entender, nos compreender, nos acalmar e nos mostrar o mais nobre e puro dos sentimentos. O mais real e sincero, que nenhum ser humano é capaz de demonstrar. Traz seus brinquedos, quer correr, quer talvez nos reanimar da vivência na morte. Pois é assim que nos fazem sentir. Vivos por fora, mas completamente mortos por dentro.
Quando não corre, dorme no seu colo, a inocência, a simplicidade, a cumplicidade e a confiança acima de tudo. É por isso que dizem ser o melhor amigo do homem, por ser o único ser que nos transmite toda essa paz interior e que nos faz perceber o quão simples a vida pode ser.
Tenho muito que aprender com a minha Stoppa.

Samstag, November 09, 2002

Ik bin Italianer....... se quemó!

Sidinei, Cleide, Gisele, Gislaine, a família Pitú era essa. Oriundos de Bofete, foi essa a sina da família. Bofetadas, tapas, chutes, enfim, tudo de ruim que você pode imaginar. Mas a vida dessa inusitada e ridícula família não começara assim.
Sidinei conhecera Cleide na feira de antigüidades, em frente à praça da Igreja da cidade, a praça São Marcos Napoleão. A partir daí um forte e rápido romance se iniciou. Não era o primeiro de Cleide, talvez fosse o de Sidinei, não sabemos, mas que começou, isso sim, começou. Se esbarraram na feira e resolveram sair, naquela mesma tarde, para se conhecerem melhor. Duas semanas depois Cleide estava grávida de exatamente três semanas...
O casamento foi marcado assim, às pressas, sem festa nem pompa, mesmo porque eram pobres, não tinham como pagar o vestido, o casório, nada, nem sequer os convites para anunciar aquilo. Casaram e fugiram para a grande cidade. Gisele nasceu, como a mais evidente prova da culpa, do medo, da cafagestagem e do pecado. Logo depois veio a ridícula Gislaine, nascida para ser uma mulher da vida, desde pequena os pais já o sabiam. Disseram que era a cara, o corpo e a mente da mãe, talvez.
E assim a família Pitú nasceu e viu nascer também todos os problemas que os mentecaptos podem ter. Mesmo assim, tiraram a sorte grande, Sidinei foi contratado (!!!) por uma fabriqueta alemã. Cleide continuava a fazer a merenda, a limpar o chão, o banheiro, limpava tudo do colégio Villalva, nas cercanias da favela onde morava, até que um dia, em um sorteio na fabriqueta, Sidinei foi premiado com uma viagem ao gringo, lá "nas Európias", como ele mesmo dizia.
Foram então todos para lá, começaram a viver num apartamentinho na periferia alemã. A vida parecia estar ótima. Para um casal que se conhecera em Bofete, que tivera duas filhas imprestáveis, que comera o pão que o diabo amassara, aquela vida semi-turca era ótima. As filhas já eram populares na escola local, ensinavam as meninas mais saidinhas a dançar as coreografias insinuantes que aprenderam em casa, isso tudo sem que as autoridades soubessem. Mas, como tudo na vida da família Pitú, não podia ser tão bom assim. Ao voltarem da escola, as babaquinhas sentiram, logo na rua, o cheiro da fumaça. Chegaram mais perto, viram muitos e muitos bombeiros. Chegaram mais perto e viram que o incêndio ainda consumia tudo o que restava daquela Cohab alemã.
Quiseram achar culpados, mas todos se calaram. Cleide principalmente, fora ela quem incendiara o subsolo do edifício, propositalmente, para se livrar de sua vizinha italiana, que não sabia pronunciar o "Ich" alemão. Mas quem mexe com fogo, sai sempre queimado. E assim foi. Voltaram ao Brasil e, como castigo, foram transferidos para a Bahia.

Mittwoch, Oktober 23, 2002

Back to Miami

Remember that summer night when we were in Miami? Well, I remember it quite well...
The moon shinning over us, the beach singing a bautiful symphony, waving the waves, clearing the sand and making fun of us, while laying down, lookin' up to the sky and feeling like in heaven.
I was in heaven, I was with you and nobody else could make me feel like that.
You're the someone who makes a dark evening seems like a clear day, no clouds in the sky and no one else to disturb our peace.
Miami was awsome, it really was. But even more was you, that made my vacations turn into a whole life, the passion that made my heart beat more and more.
And you were there, just when I wished, just when I wanted, just when I needed. You and Miami. Our Miami.
But our dream became much more than that. It became a reallity, where I couldn't escape, run away. I wouldn't, we didn't. But we should. The nightmare, the disappointment, the fallout. We fell out, deep inside a dark and down tunnel of pain. Then, angry, hate. The worst feelings that one can feel. And we felt, and we suffered, and we died. We, as only one died. And You and I survived, hurted, weak, dirty, no self esteem, no more us, but just we, as one and one.
We separeted ourselves, we forgot ourselves, we forgave ourselves, and now we're back to Miami.
The sky is always the same here, it never changes, it never stops making dreams become reallity, making heaven become hell. We're not the same anymore, but we'll always have this fascinating sky, the Miami sky.

Montag, Oktober 21, 2002

Mirábula, Jorgina, dentre tantas outras, as duas. Donas do mundo, de seu mundo, que criaram e o acreditavam. Que viviam e vestiam as cores de suas verdades. Para Mirábula as cores eram sóbrias, geladas, como a cor de uma noite escura mas enternecida pela lua, um banho de prata no céu. Jorgina, como toda a sua vida, era vermelha, azul, amarela, verde, as cores do dia que alegravam as manhãs, um arco-íris, como as velhas amizades devem ser.
Eram exatamente assim, uma completava a outra, o dia que vem depois da noite e a noite que vem depois do dia. Eram assim as manhãs e as noites daquele mundo à parte. Mas, como em todos os mundos, existem dias claros e dias conturbados. Não era diferente no mundo das amigas. Passavam pássaros, caíam folhas, relampejava. Ao passar do tempo, relampejava mais e mais. Raios de murmúrio, de inveja, de falsidades. Mas eram apenas raios, que como todos os outros passavam, assustavam no começo, mas terminavam como uma velha e boa chuva de limpeza espiritual.
As conturbações eram muitas. Mas as causas eram poucas. Fumaças, farelos de gente que indagavam o que se passava naquele mundo das duas onde poucos entravam e ainda menos saíam. As cortinas se abriam, o espetáculo começava mais uma vez. Maldizeres, fofocas, intrigas, ladaínhas, calúnias! Tudo e todos faziam um simples dia se tornar uma rebelde tormenta de fogos cruzados no céu.
Mas as duas, Mírábula e Jorgina, não esqueciam que seu mundo era mais forte, que agüentaria, mesmo que calado, por todas as tempestades de acontecimentos.
Não que precisavam da revanche, mas de um desabafo e de um consolo, acima de tudo de algo que mostrasse a força daquele mundo. E assim foi. Mostaram e calaram aqueles que não sabiam. A parede virou pó, com a decepção, com a ilusão que Jorgina mostrou ser o seu engano. E do pó surgiu a raiva, a briga, a incerteza e a perda de valores e pessoas ainda mais caros que o mais caro vaso chinês. E o pó, desiludido, tenta se refazer, mas o vento o sopra para longe, talvez em uma semana esteja de volta, mas não como era antes, nunca será a mesma parede.
Mirábula, não toma atitudes assim, joga mais silenciosa e revela a podridão daquela sociedade, que não era de seu mundo, mas de uma vizinhança não muy amiga. E os podres aparecem, viram migalhas perto daquelas verdades imundas que eles mesmos criaram.
Mas a sujeira sempre reaparece e está de volta quando menos esperamos. Não no mundo de Jorgina e Mirábula, lá a sujeira não tem vez, vira verdade varrida a voltas na vassoura verde, vermelha, voraz, vitalínica, vulvídica. Os mundos são assim, bem diferentes.

Este texto relata uma verdade não só minha, nem só sua. É da vida de todos nós. Criamos mundos diferentes, vivemos em mundos diferentes, em realidades que acreditamos, em verdades nossas, não deles. Mas as verdades, os mundos e as vidas acabam, como um ponto-final depois de um longo texto de romance, suspense, terror, comédia, enfim, mais um ponto-final. O mundo de Jorgina e Mirábula acabará quando entre elas acabar a cumplicidade dos seres, quando entre elas acabar a vida. E esse mundo, que um dia sairá das mãos e das mentes das duas pode ser o seu mundo. Não deixe que os relâmpagos assustem a boa manhã de todos os sonhos, nem que a falta de luz seja o fim de um filme que está passando. Não deixe, não faça aquilo que não deseja aos outros.

Infelizmente aqueles que deveriam ler esse texto, não irão lê-lo, pois são muito medíocres e incapazes de acessar a internet ou de sequer entender a idéia central. Mas se você leu, epero que ao menos a mensagem tenha sido passada e que possa entender qual é o mundo de Mirábula e Jorgina.

Sonntag, September 01, 2002

sererê, sererê!
cabelo sererê,
parece mola, mas é pior,
esse é o cabelo sererê!
Tic-tac, já é meia-noite.
O dia passou como um raio que desmonta o céu, como a água que escorre pela mão.
Senhor Castor abrira a cerveja e debruçara-se no balcão daquele imundo bar.
Queria mais daquele copo, quem sabe para esquecer que as horas passaram, que os dias passaram, que a vida passara assim tão depressa.
Tic-tac, os minutos continuavam a passar, tempo perdido, que nunca mais voltaria. 37 segundos foram suficientes para esvaziar o copo, 37 apenas.
Mais 2 segundos e limpara a boca, mais 8 segundos e tirava o dinhero daquele passa-tempo. Mais uma vida para esquecer o que parecia estar tatuado para sempre em seu "cuore".
Mas quanto tempo seria essa vida? Mais 6 segundos, 4 horas, 20 anos? Não podia esperar tanto para poder se livrar daquela dor.
No bar, os estilhaços da briga de ontem, há 27 horas e ainda não tinham recolhido o copo quebrado.
Mais 3 segundos e começou a recolher tudo aquilo. Mais 19 segundos e juntara os cacos do copo, no copo.
-Manda mais uma dose neste mesmo copo, Jorge!
-Me dê este copo! ele está cheio de vidro... Você quer morrer, homem?
-Você acha que é assim tão fácil? Cale a boca e me dê mais uma dose neste mesmo copo, vai, VAI!
-................
-Como é?! Não me entende? Será que terei de subir neste balcão e arrancar-lhe à força o que estou a pedir-te?
-Tudo bem... o senhor é quem manda....
Mais 13 horas, 8 minutos, 17 segundos e 39 contésimos e o IML chegou para recolher aquele corpo caído ao chão.
Tic-tac, já é hora do almoço do legista.

Samstag, Januar 27, 2001

QUERIDA MÚMIA
Maria Elena e Frederico estavam nas pirâmides do Egito quando Frederico perguntou:
- Onde está a câmera?
- Frederico, ela estava com você ontem!
- Pegue-a agora, sua múmia!
- Tenha mais respeito, já disse que ela não está comigo!
- Como posso te respeitar se essa câmera custou milhões?
- Basta ter um pouco mais de paciência que nós a encontraremos...
- E o que sugere que façamos?
- Vamos voltar ao hotel para ver se a deixamos lá.
Nesse momento, Maria Elena sucumbiu caindo morta na frente de um sarcófago.
Imediatamente uma múmia se aproximou de Maria Elena para possuir sua alma e Frederico despercebido agarrou sua mão.
- O que há de errado com você? Maria Elena, responda!
Ao olhar para trás, deparou-se com a múmia e despertou dizendo:
- Ufa! isso era apenas um sonho!
Frederico virou-se para abraçar Maria Elena e percebeu que ela era uma múmia e que ele nunca havia percebido.
- Meu Deus, o amor realmente é cego!
E Frederico cai.

Rafael Nobre, Agnes Marti, Claudia Sciré, Daniela Granato (2000)

Mittwoch, Januar 24, 2001

DE NADA ADIANTOU...
Era uma vez uma rica mulher chamada Marie Inesy, esposa de um rico industrial. Ela tivera um passado muito triste, pois em sua infância trabalhou como pedicure em uma favela, submetendo-se a mal-tratos, estupros, além de ter um seio a menos, pois um cachorro o arrancou. Por isso era complexada e escondia seu passado sob uma cortina cinza de orgulho. Mal sabia que seu modo de falar denunciava seu medíocre passado. Um dia, conversando com seu marido:
- Você sabe que eu te amo e que a gente estamos vivendo muito feliz juntos, mas eu gostaria de estar te pedindo um favor...
- O quê, meu cajuzinho?
- A nível de seios, eu queria estar vendo um doutor.
- Para quê, se és tão bonita monoteta?
- Ah, você sabe que a população é supermal, principalmente porque os seios está na moda.
- Você sabe que eu não ligo, vamos parar com esse assunto!
Marie, triste, resolve mesmo assim ir ao médico:
- Senhor doutor, quero ficar mais bonita refazendo meu seio!
- Você sabe que isso não é possível, pois você não tem pele suficiente, nós teríamos que fazer em enxerto utilizando o tecido de sua nádega...
- Tá bom, aceito!
Depois de alguns dias...
- Meu cajuzinho, o que houve?
- Ah, cê reparô no meu seio?
- Não... reparei na nádega que está faltando em você!

Rafael Nobre, Agnes Marti, Claudia Scire, Daniela Granato (2000)

Sonntag, Januar 21, 2001

JOSÉ
Debaixo de um céu cinzento, no meio da selva de pedra, rodeado por grandes edifícios, enfrentando a correnteza de inúmeras rodovias, no calor incessante das fumaças lá está ele: José. Anos de dor, luta, mãos calejadas, roupas manchadas de sangue e suor, que jorraram - e ainda jorram - na luta por uma vida melhor. Anos de miséria, trabalho, escravidão.
Cicatrizes. Inúmeras, profundas, irreparáveis. José, um ser entre milhões de habitantes, porém apenas um número entre eles. Um número, que mesmo depois de tantos anos de trabalho e sofridão, ainda luta pela sobrevivência.
Trocou a enxada na mão pela pá e vassoura, limpando as ruas da cidade. É agora gari em São Paulo, o mais bem-sucedido de sua miserável família, se é que assim pode-se dizer.
Acorda cedo, mora na Zona Leste e trabalha na Zona Sul, anda a pé. De outra forma não poderia ser, afinal, gasta-se muito na condução. Ônibus: luxo demais para ele. Não reclama, já está habituado a isso. Segue portanto qulômetros e quilõmetros de sua casa ao trabalho, debaixo de sol, chuva, no meio da escuridão e dos terrores urbanos. Mas ele segue.
Certo dia não pôde mais seguir. Estava em sua casa. Ele e mais 19 familiares que repartiam e dividiam cada metro quadrado, cada grão de arroz e feijão. Ouve-se tiros, nada que estivesse fora do normal para eles, já acostumados a isso. De um simples tiroteio a situação tornou-se uma guerra. Correria, pânico, incêndio.
O fogo, dentro de instantes, após poucos segundos de um começo inesperado e inexplicável tomou posse da situação. Destruição. Logo, a pequena casa de José também foi destruída, assim como todas as outras casas da favela, casas de pessoas como José. Não havia nada a perder, já que José não possuía nada, mas mesmo assim o fogo destruiu até o que José não possuía. Não ouve noite naquele dia, nem nos dias seguintes, não houve mais noite nem dia para José.
Aquele incêndio destruiu não apenas a moradia do gari, mas levou consigo todas as suas ambições, todos os seus derradeiros sonhos, levou José e sua família.
Mas afinal, quem realmente foi José? José sou eu, você, a sociedade. O incêndio é, portanto o governo corrupto, que destrói José, e portanto, a nossa sociedade. Mas nessa história há um erro: José parou de limpar, foi levado pelo fogo e parou de seguir.
O que nós precisamos portanto é fazer o José que está dentro de nós viver, sempre limpando as vias da sujeira e corrupção que há em nossa sociedade e nunca, nunca mesmo, deixar que o fogo da maldade nos carregue.

Rafael Nobre (21-01-01)